domingo, 11 de março de 2012

Programa Saúde na Escola

Ministro participa de ações de prevenção à obesidade

A mobilização faz parte do Programa Saúde na Escola que envolve mais de 50 mil instituições públicas e 2.495 municípios em 2012.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou,nesta sexta-feira (9),de ações de prevenção à obesidade em escolas públicas de São Paulo. Padilha visitou Centro de Educação Unificado Presidente Dutralocalizada em Guarulhos (SP) e a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Monte Castelo, onde estudou quando criança. O ministro realizou atividades educativas e acompanhou o andamento de avaliação de saúde, incluindo medição e avaliação nutricional, oftalmológico e bucal, dos alunos. As ações fizeram parte da Semana Saúde na Escola, o pontapé inicial para ações de saúde com foco em obesidade que acontecerão durante todo o ano em escolas públicas que aderiram ao Programa Saúde na Escola, desenvolvido pelos Ministérios da Saúde e Educação. Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada entre 2008/2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Entre os jovens de 10 a 19 anos, 1 em cada 5 apresentam excesso de peso.

Confira outras matérias produzidas sobre a Semana Saúde na Escola pela Web Rádio Saúde -http://webradio.saude.gov.br/saude_na_escola.php

No Centro de Educação Unificado Presidente Dutra, o Ministro assistiu ao Teatro de Fantoches com o tema - “Alimentação Saudável” e da apresentação do rap composto exclusivamente para o Programa Saúde na Escola, pelo rapper Dudu Sá, que tem na letra o incentivo à adoção de hábitos saudáveis, como alimentação e práticas de exercícios físicos. “Queremos discutir como a escola pode ajudar na construção de hábitos mais saudáveis. É um passo importante para o Brasil que está sendo construído, já que o futuro do país são essas crianças e queremos que esse futuro seja saudável”, afirmou Alexandre Padilha. Ao falar da música, o rapper falou da felicidade de ser o porta-voz dessa grande ação. “O rap é uma música que chega às crianças e, com essa letra, pude dar minha contribuição para um país mais saudável”, ressaltou o rapper Dudu Sá.

Já na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Monte Castelo, onde o Ministro estudou quando criança, Alexandre Padilha participou de ações de saúde bucal. Foram instalados escovódromos e as crianças puderam aprender na prática como lavar corretamente as mãos e escovar os dentes, sob a orientação de profissionais especializados que deram instruções de higiene pessoal e bucal. Ao final da ação também foi entregue uma cartilha para que as crianças possam levar para a casa e praticar os aprendizados em ambiente familiar, criando cada vez mais hábitos saudáveis. “As crianças são grandes multiplicadores, o que orientamos na escola as crianças repassam para o restante da família”, enfatizou Padilha.

PROGRAMA - Em Guarulhos, 70.800 estudantes participaram da Semana Saúde na Escola, que envolveu 196 instituições públicas e 58 equipes de saúde da família. Foram realizadas avaliações da saúde dos estudantes, incluindo medição e avaliação nutricional, oftalmológico e bucal, além de visitas às Unidades Básicas de Saúde mais próxima da escola. “É uma avaliação focada na nutrição e práticas de exercícios físicos, mas também em problemas que interferem no rendimento escolar, como o de vista, auditivo, saúde bucal”, explicou o Ministro da Saúde.

A adesão tanto à Semana quanto ao Programa é voluntária. Neste ano, mais de 50 mil escolas em 2.500 municípios brasileiros participam do Programa. Para essas implementar metas e ações de promoção, prevenção, educação e avaliação das condições de saúde das crianças e adolescentes nas escolas, o Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 118,9 milhões. A iniciativa envolverá 11 milhões de estudantes. “Nosso foco prioritário são as escolas dos bairros mais pobres das grandes cidades, com foco especial no Brasil Sem Miséria”, afirma o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

SUS oferece oito opções de métodos contraceptivos

Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza todas as informações e métodos necessários para a mulher e seu parceiro decidirem quando, como e se querem ter filhos. O planejamento familiar é um direito assegurado pela Constituição Federal.

Nos dias de hoje, muitas mulheres optam por adiar os planos da maternidade e outras fazem a escolha de não ter filhos. Para todas elas, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece oito opções de métodos contraceptivos, para que ela possa escolher a maneira mais confortável de planejar quando, como e se vai ter filhos.

O Ministério da Saúde reforçou sua política de planejamento familiar aumentando o acesso a vasectomias e laqueaduras, além da ampliação da distribuição de preservativos e dos outros métodos contraceptivos. Atualmente, as mulheres em idade fértil podem escolher entre os métodos: injetável mensal, injetável trimestral, minipílula, pílula combinada, diafragma, pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte), Dispositivo Intrauterino (DIU), além dos preservativos.

De forma geral, a pílula anticoncepcional e o DIU são os dois procedimentos mais procurados pelo público feminino no país. Somente em 2010, o governo federal adquiriu 49,3 milhões de cartelas da pílula anticoncepcional para distribuição. Além disso, foram adquiridas 600 mil unidades de DIU no ano passado.

A coordenadora da área técnica da Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde, Esther Vilela, explica que os centros de saúde precisam estar prontos para fornecer às mulheres todas as informações necessárias sobre os métodos disponíveis. Segundo ela, é preciso aumentar o acesso à informação, para que a mulher se sinta segura na hora de fazer a sua escolha. “Hoje, nós estamos investindo muito no acesso à informação correta para que as mulheres busquem os seus direitos quando chegarem nos postos de saúde e para que elas lutem pelos seus direitos”, afirma.

A coordenadora ressalta que uma das estratégias do programa Rede Cegonha foi implantar o teste rápido de gravidez nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Com isso, tanto a mulher que desejava engravidar, quanto aquela que não planejou a gravidez, podem receber orientação adequada no momento do resultado. “Todos os casos precisam de uma abordagem imediata para que ela tenha acesso aos cuidados mais corretos e seguros”, ressalta a coordenadora.

Para as mulheres e os casais que não desejam ter filhos, o Ministério da Saúde oferece ainda vasectomia e laqueadura. A decisão por algum destes métodos precisa ser bem pensada, já que são de difícil reversão. “Caso a mulher queira fazer a laqueadura de trompas, ela é encaminhada para uma reunião do planejamento familiar. Ela vai com o parceiro e os dois participam de uma reunião onde definem os prós e contras da decisão. Como em alguns casos a mulher só tem acesso à informação da laqueadura de trompas, na reunião, ela fica sabendo de outros métodos que podem ser tão eficazes quanto, e podem ser menos invasivos”, explica a coordenadora.

Esther Vilela chama atenção para o fato de que as mulheres devem sempre trazer o parceiro para o centro de todas as decisões: “ a escolha de ter ou não filho e quando isso deve acontecer diz respeito à vida dos dois. A responsabilidade de fazer a opção não deve ser só da mulher, precisa ser dividida sempre com seu companheiro”, ressalta.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PREVENÇÃO Saúde oferece duas novas vacinas para crianças

A partir do segundo semestre, serão introduzidas as vacinas pentavalente e a pólio inativada. A campanha nacional contra pólio, com as gotinhas, será mantida

O Brasil está se preparando para a erradicação mundial da pólio. Neste ano, o país amplia o Calendário Básico de Vacinação da Criança com a introdução da vacina injetável contra pólio, feita com vírus inativado. A nova vacina será utilizada no calendário de rotina, em paralelo com a campanha nacional de imunização, essa realizada com as duas gotinhas da vacina oral. A injetável, no entanto, só será aplicada para as crianças que estão iniciando o calendário de vacinação.

Outra novidade para 2012 será a vacina pentavalente, que reúne em uma só dose a proteção contra cinco doenças (difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenza tipo b e hepatite B). Atualmente, a imunização para estas doenças é oferecida em duas vacinas separadas.

“Com a inclusão da pentavalente no calendário vacinal vamos reduzir uma picada nas crianças, diminuindo as idas aos postos de saúde”, explicou o ministro Alexandre Padilha. Ele reforçou ainda a participação dos laboratórios públicos na produção de vacinas no país. “O Ministério da Saúde tem como política fortalecer a capacidade nacional de inovação tecnológica de produção, não só em parceria com laboratórios públicos e com setor privado, mas também de atração de parceiros internacionais”, afirmou o ministro.

A introdução da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), com vírus inativado, vem ocorrendo em países que já eliminaram a doença. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no entanto, recomenda que os países das Américas continuem utilizando a vacina oral, com vírus atenuado, até a erradicação mundial da poliomielite, o que garante uma proteção de grupo. O vírus ainda circula em 25 países. O Brasil utilizará um esquema sequencial, com as duas vacinas, aproveitando as vantagens de cada uma, mantendo, assim, o país livre da poliomielite. A VIP será aplicada aos dois e aos quatro meses de idade e a vacina oral será utilizada nos reforços, aos seis e aos 15 meses de idade.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, explicou que o Ministério da Saúde está trabalhando para ampliar o número de vacinas combinadas, que reúne a proteção a mais de uma doença em uma mesma apresentação. “Com isso, temos o beneficio de melhorar a administração da vacina em crianças com dois ou três anos”, diz.

AGENDA – A VIP será introduzida no calendário básico a partir do segundo semestre desse ano. As campanhasanuais contra poliomielite também serão modificadas a partir de 2012. Na primeira etapa - a ser realizada em 16 de junho - tudo continua como antes: todas as crianças menores de cinco anos receberão uma dose de VOP, independente de terem sido vacinadas anteriormente. Na segunda etapa - que ocorrerá em agosto - todas as crianças menores de cinco anos devem comparecer aos postos de saúde, levando o Cartão de Vacinação. A caderneta será avaliada para a atualização das vacinas que estiverem em atraso. Essa segunda etapa será chamada de Campanha Nacional de Multivacinação, possibilitando que o país aumente as coberturas vacinais, atingindo as crianças de forma homogênea, em todos os municípios brasileiros.

Esquema sequencial da vacinação contra poliomielite

Idade / Vacina

2 meses / Vacina Inativada poliomielite - VIP

4 meses / VIP

6 meses / Vacina oral poliomielite (atenuada) - VOP

15 meses / VOP

Pentavalente: A inclusão da vacina pentavalente no calendário da criança também será feita a partir do segundo semestre de 2012. A pentavalente combina a atual vacina tretavalente (difteria, tétano, coqueluche, haemophilus influenza tipo b) com a vacina contra a hepatite B. Ela será produzida em parceria com os laboratórios Fiocruz/Bio-Manguinhos e Instituto Butantan. As crianças serão vacinadas aos dois, aos quatro e aos seis meses de idade.

Com o novo esquema, além da pentavalente, a criança manterá os dois reforços com a vacina DTP (difteria, tétano, coqueluche). O primeiro a partir dos 12 meses e, o segundo reforço, entre 4 e 6 anos. Além disso, os recém-nascidos continuam a receber a primeira dose da vacina hepatibe B nas primeiras 12 horas de vida para prevenir a transmissão vertical.

Heptavalente - No prazo de quatro anos, o Ministério da Saúde deverá transformar a pentavalente em heptavalente, com a inclusão das vacinas inativada poliomielite e meningite C conjugada. “As vacinas combinadas possuem vários benefícios, entre eles o fato de reunir, em apenas uma injeção, vários componentes imunobiológicos. Além disso, os pais ou responsáveis precisarão ir menos aos postos de vacinação, o que poderá resultar em uma maior cobertura vacinal”, observa o ministro Alexandre Padilha.

A vacina heptavalente será desenvolvida em parceria com laboratórios Fiocruz/Bio-manguinhos, Instituto Butantan e Fundação Ezequiel Dias. A tecnologia envolvida é resultado de um acordo de transferência entre o Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, e o laboratório Sanofi.

Investimento - Com a implantação da pentavalente haverá uma economia de R$ 700 mil ao ano, devido à redução no preço da vacina, além da diminuição do custo de operacionalização (transporte, armazenamento, seringas e agulhas). No decorrer desse ano, o Ministério da Saúde irá adquirir oito milhões e oitocentas mil doses da pentavalente, a um custo de R$ 91 milhões. Também serão adquiridas outras oito milhões de doses da Vacina Inativada Poliomielite, ao custo de R$ 40 milhões. Para a manutenção de estoque estratégico, já foram compradas, em dezembro do ano passado, três milhões de doses da VIP, por R$ 15 milhões.

sábado, 5 de novembro de 2011

INCA anuncia novas recomendações para o tratamento do câncer de mama.

Diretriz do Instituto do Câncer estabelece prazo máximo entre diagnóstico e cirurgia, entre outros itens


enviado por Mario Lobato

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo


O Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulga hoje uma lista de recomendações para o controle da mortalidade do câncer de mama. Entre as medidas, estabelece em 3 meses o prazo máximo entre o diagnóstico de tumor e a cirurgia. Também fixa o período para o início das terapias complementares, como químio e radioterapia – entre 60 e 120 dias após o tratamento inicial.

A divulgação faz parte das ações da instituição no Outubro Rosa, movimento internacional que busca chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama.

A cirurgia logo depois do diagnóstico garante maior sobrevida às pacientes. Estudos científicos mostram que a demora superior a três meses compromete a expectativa de vida das mulheres. As pacientes que se tratam pelo Sistema Único de Saúde (SUS) precisam esperar 188 dias, em média, entre o diagnóstico e a cirurgia, segundo levantamento divulgado pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). Essa espera cai para 15 dias se a pessoa tiver plano de saúde.

As sete recomendações divulgadas pelo Inca não têm força de lei, mas se forem seguidas pelas secretarias municipais e estaduais de saúde e pelos consultórios particulares têm potencial para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das pacientes com tumores de mama. Esse é o tipo de câncer que mais mata na população feminina – 12 mil mulheres morrem por ano em decorrência da doença.

Tratamento

“Essas recomendações são um desdobramento do que a gente sugeriu no ano passado, quando o foco foram estratégias para detecção precoce. Detectar não é um fim em si mesmo. O importante é que se instituam medidas necessárias para que o câncer seja tratado adequadamente”, afirmou o oncologista José Bines, responsável pelo grupo de tumor de mama do Inca.

“O País é grande, heterogêneo, e a ideia é instituir parâmetros mínimos para que sejam alcançados em todo o território nacional. O ideal é que a cirurgia e as terapias sejam feitas o mais breve possível. Estabelecemos tempos máximos; os lugares que estão fazendo em menos tempo, melhor”.

Segundo o Inca, toda mulher deve ter seu diagnóstico complementado com a avaliação do receptor hormonal. “A maior parte dos tumores de mama são alimentados pelo hormônio feminino. No exame do tumor como um todo, o patologista identifica a presença ou não do receptor hormonal. E este receptor está presente em 70 a 80% dos casos”, explica Bines. “Se estiver presente, é preciso fazer um tratamento anti-hormonal para inibir esse potencial crescimento.” Essa terapia também está no rol divulgado pelo Inca – se indicada, deve ser iniciada em até 60 dias depois da cirurgia.

O Inca também recomenda que as mulheres com câncer de mama sejam acompanhadas por equipe multidisciplinar de especialistas (oncologista, cirurgião, radioterapeuta, enfermeiros, psicólogo) e tratadas em ambiente acolhedor, com acesso a cuidados paliativos. Os hospitais também devem ter Registro de Câncer em atividade, serviço que permite coletar informações para monitorar e avaliar a qualidade do tratamento oferecido às pacientes.

> DIRETRIZES PARA O CÂNCER DE MAMA

1. Ação rápida Tratamento deve começar logo após diagnóstico; cirurgia para retirada do tumor não deve ultrapassar prazo de 3 meses.

2. Ação complementar Prazo para início de tratamento de quimioterapia ou hormonioterapia é de 60 dias e o de radioterapia, 120 dias.

3. Receptor hormonal Diagnóstico deve ser complementado com avaliação do receptor hormonal.

4. Atenção multidisciplinar Tratamento deve contar com equipe que inclua médicos (cirurgião, oncologista clínico e um radioterapeuta), enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta.

5. Abordagem humanizada Ambiente para paciente diagnosticada receber cuidados deve respeitar sua autonomia, dignidade e confidencialidade.

6. Registro de Câncer Hospital onde paciente é acompanhada deve ter Registro de Câncer, para monitorar e avaliar a qualidade do tratamento.

7. Cuidados paliativos Paciente tem direito aos cuidados paliativos para o adequado controle dos sintomas e suporte social, espiritual e psicológico.

Qualidade de Vida!!! Ótima iniciativa.. Vamos diminuir o sedentarismo desse povo!

QUALIDADE DE VIDA
Ministro anuncia implantação de 2.000 academias da saúde

Lançada em abril, a estratégia estimula a criação de espaços adequados para a prática de atividades físicas e lazer. Apenas 15% dos adultos são ativos no tempo livre

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou os municípios que serão contemplados pelo Programa Academia da Saúde, que estimulam a criação de espaços adequados para a prática de atividades físicas e lazer. Em todo o Brasil, foram selecionados 2 mil polos que serão instalados em 1.828 municípios. O anúncio foi realizado durante a 11ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi). De acordo com o estudo Vigitel 2010, 16,4% dos brasileiros são sedentários e apenas 15% dos adultos são ativos no tempo livre.

As Academias da Saúde são mais do que espaços públicos de lazer: trata-se de meios de acesso às práticas corporais pela maioria da população, com impacto direto na qualidade de vida e na saúde das pessoas”, ressalta o ministro. Padilha observa que a construção desses espaços é uma das estratégias do governo federal para a promoção da saúde, prevenção de enfermidades e redução de mortes prematuras por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) – medidas previstas no Plano de Ações Estratégicas para Enfretamento das DCNT. Lançado em agosto, tem como meta a redução de 2% ao ano das mortes prematuras por essas doenças. O objetivo é alcançar melhorias em indicadores relacionados ao tabagismo, álcool, sedentarismo, à alimentação inadequada e obesidade.

Os polos do Programa Academia da Saúde são espaços públicos construídos para a prática de atividade física. As atividades devem estar ligadas aos serviços de atenção básica. Lançada no último mês de abril, a estratégia Academia da Saúde estimula a criação de espaços adequados para a prática de atividades físicas e lazer, a exemplo de iniciativas bem sucedidas realizadas em cidades como Aracaju, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Vitória. Os secretários de saúde destes municípios receberam, durante a Expoepi, uma homenagem do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

SEDENTARISMO E OBESIDADE – De acordo com o estudo Vigitel 2010, 16,4% dos brasileiros são sedentários; ou seja, pessoas que não fazem nenhuma atividade física no tempo livre, nem mesmo nos deslocamentos diários ou em atividades como a limpeza da casa ou outros tipos de trabalho. A pesquisa também mostra que, nos períodos de lazer, 25,8% dos brasileiros passam três ou mais horas em frente à TV, durante cinco ou mais vezes por semana. Além disso, apenas 15% dos adultos são ativos no tempo livre, com maior proporção entre homens (18,5%) na comparação com as mulheres (12%) e existe diferença importante em relaçao a escolaridade, 12% da populaçao com menos escolaridade é ativa e 20% da populaçao com 12 anos ou mai s de escolaridade é ativa, mostrando a importancia de investir em espaços que promovam atividade física para ampliar o acesso da populaçcoa de baixa renda. A Organização Mundial de Saúde recomenda a prática de 30 minutos de atividade física, durante cinco ou mais dias por semana.

Outro indicador preocupante se refere ao sobrepeso e à obesidade. O Vigitel 2010 mostra que 48% dos brasileiros estão acima do peso e, desses, 15% são obesos. “A obesidade é, em geral, consequência de alimentação inadequada e inatividade física, o que pode levar ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes, por exemplo”, alerta Deborah Malta.

SAÚDE BRASIL – Durante a Expoepi, como ocorre em todos os anos, são lançadas publicações relacionados ao segmento. Um dos destaques é a edição 2010 do Saúde Brasil – uma análise geral da situação de saúde do brasileiro, desde o nascimento até a morte. A obra, produzida pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, apresenta indicadores demográficos e epidemiológicos e demonstra tendências que poderão subsidiar a definição de novas ações estratégicas e políticas públicas de saúde.

A EXPOSIÇÃO – A Expoepi é promovida pela SVS do Ministério da Saúde, com o objetivo de dar visibilidade às ações de Vigilância em Saúde e discutir aspectos relevantes para o aprimoramento da área. O encontro mobiliza trabalhadores do SUS de todas as regiões e estados. Este ano, está prevista a participação de 2,5 mil profissionais de saúde da rede pública.

A participação ativa de representantes e trabalhadores do SUS no encontro reflete a incorporação crescente da epidemiologia no planejamento, na análise e na reorientação das ações de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos em saúde pública. Além disso, reafirma a valorização dos profissionais empenhados em monitorar e promover a saúde, prevenir doenças e agravos e melhorar a qualidade de vida da população brasileira.

Durante a Expoepi serão premiadas produções técnico-científicas de profissionais da rede pública que contribuíram para o aprimoramento das ações de Vigilância em Saúde por meio de trabalhos de pós-graduação. Os vencedores recebem prêmios de R$ 3 mil (especialização), R$ 6 mil (mestrado) e R$ 9 mil reais (doutorado). Ao todo serão premiados três trabalhos, um em cada categoria de pós-graduação, no valor total de R$ 18 mil.

Por Debora Pinheiro, da Agência Saúde – Ascom/MS
(61) 3315-3985 / 3580 / 2351

Cebes realiza entrevista com Sonia Fleury durante encontro da OMS no RJ

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

“Dizem que num pega, mas um dia ainda vão aprender que pega”.

Domingo passado, folheando revistas velhas, bati o olho numa manchete sobre cânceres e infecções: “Você pode ‘pegar’ câncer?”. Reli sorrindo, do começo ao fim. Ali estava algo que faria a completa satisfação da vovó Maria, que não deixava criança ir a velório de quem morria “daquela doença feia” e sentenciava: “Dizem que num pega, mas um dia ainda vão aprender que pega”.

Ela “quase” acerta. Podemos “pegar” cânceres, mas não em velório! “Um em cada cinco cânceres está ligado a infecção. Suspeito que acharemos mais”, afirma o dr. Harold zur Hausen (prêmio Gairdner do Canadá e prêmio Nobel de Medicina 2008), alemão de cujos estudos resultou a vacina contra o HPV (Papiloma Vírus Humano), em 2006. Ele descobriu que “apenas duas cepas do vírus, o HPV 16 e o HPV 18, eram encontrados em 70% dos casos de cânceres cervicais (de útero)”.
É ler sobre o tema e na hora pensar em vovó, que já morreu. Imagino o sermão: “Num te disse que doutor num sabe de nada. Se ‘subesse’, num morria!”. Uma frase dita mil e uma vezes, mas a primeira é inesquecível. Vovó era hipocondríaca, mas indisciplinada no uso da medicação. Nunca tomava uma caixa inteira de remédio, mas era cuidadosa com a saúde de familiares. Quando menstruei pela primeira vez, estava de férias, mas, antes de voltar para a escola, em Colinas, fomos ao médico.
“Vovó era exímia em contar casos e casos de loucuras de mulheres que não tiveram ‘cautela’ durante as regras. Um terrorismo. ‘Suspensão’ (parar de menstruar sem ser gravidez) era doença séria. O médico disse que muitas meninas menstruavam pela primeira vez e poderiam ficar alguns meses sem menstruar. Não era doença. Vovó ficou danada: ‘Onde já se viu gastar tanto dinheiro para vir ao doutor e ele não passar nenhuma jalapa? Doutor num sabe de nada. Se ‘subesse’, num morria’. (“As ‘regras’ e a camisinha“, O TEMPO, 31.12.2003)…

“Um em cada cinco
está ligado a infecção.
Suspeito que acharemos mais”,
afirma o dr. Harold zur Hausen de
cujos estudos resultou
a vacina contra o HPV.
Ela sempre minimizava o saber médico. E piorou depois que médico deixou de ser “bicho de sete cabeças”, pois eu, sua neta, era médica. Embora confiasse muito em minha opinião e não tomasse um “caché” sem que eu dissesse sim, ela não dava muita trela para médico. Eu poderia estar no fim do mundo, teria de ser encontrada na hora em que ela queria perguntar algo!

Já idosa, diabética, hipertensa e após vários acidentes vasculares cerebrais, foi hospitalizada às pressas para uma colecistectomia. O cirurgião disse-lhe que ela precisava tomar sangue. “Espera aí, doutor, já falou com minha neta? Só tomo sangue depois dela dizer que posso…”. Indagada, segundo ela em tom de empáfia e menosprezo, se a tal neta era médica, respondeu:
“Igualizinha a vosmecê. Pra mim mais, porque é minha neta, eu criei e não vai fazer nada de errado comigo. Cê sabe, doutor erra de quando em vez. Ela mora lá no Belo Horizonte. De certeza vai tá aqui no primeiro avião que sair de lá. Vou esperar”. Aprontou, pintou e bordou. Antes de viajar, telefonei e perguntei ao médico se era seguro ministrar sangue. Ele riu.

“Você bem sabe que aqui, não!”. Era meados da década de 1990. “Até dona Maria, que é esperta, sabe. Ao pedir para esperar a sua presença, ou anuência, disse: de tudo dessas coisas desses ‘hospitalizinhos’ (sentiram o desdém?) daqui, a única coisa que ela diz que é perigosa é tomar sangue. Tem essa Aids, né?”.Enfim, não foi ministrado o sangue, cuja indicação não era absoluta, e ela se recuperou bem. Naquela época, a segurança do sangue no Brasil era coisa de grandes centros médicos… Ainda é.

Publicado no Jornal OTEMPO em 04.10.2011